As Criptomoedas na trilha do Cartão de Crédito

As criptomoedas na trilha do cartão de crédito

07-06-2019
Adriano Gomes – Supervisor de Marketing do Grupo Bitcoin Banco

Quando o assunto é meio de pagamento, não há dúvidas de que evoluímos muito para chegar até aqui. Do escambo à moeda mercadoria, passando pelas moedas cunhadas, pela emissão de recibos e, na sequência, o surgimento da moeda papel e dos bancos. E tudo isso só até o fim da Idade Média. Já no século XX, outras possibilidades inovadoras surgiram: cartões de crédito e débito, além de alternativas eletrônicas como o PayPal, PagSeguro, entre outros. E, dentre todas essas histórias, uma delas – pela resistência inicial encontrada – lembra muito a do surgimento do Bitcoin.

O cartão de crédito foi criado na década de 1920, nos Estados Unidos, mas só se popularizou no fim da década de 1950. No início, era um meio de pagamento restrito a clientes de algumas empresas e companhias. Tinha uso limitado ao estabelecimento fornecedor do cartão e era utilizado apenas por um pequeno grupo de pessoas.

Boa parte dos clientes e dos comerciantes não entendiam como funcionava. Havia muita desconfiança por parte de ambos, e mesmo os que recebiam o benefício não o utilizavam com muita frequência. Fatores que explicam porque o cartão demorou tanto a emplacar, apesar das facilidades que oferecia.

Na década de 1950 surgiu o The Diners Club, um cartão de crédito – ainda de papel, como os primeiros do mercado – aceito em 27 restaurantes de Nova Iorque. O cartão era fornecido a clientes especiais desses estabelecimentos e só tinha essa função. Não era aceito no comércio em geral.

A grande virada só veio em 1955, com a substituição do cartão de papel pelo de plástico. Nem a própria indústria poderia prever como uma pequena alteração no produto poderia impactar de modo tão definitivo na popularização do mesmo. Os americanos se apaixonaram por aquela inovação plástica, que possibilitava a compra de produtos sem a necessidade de dinheiro ou de cheques.

A partir deste momento, as pessoas passaram a associar a modernidade do cartão com uma forma mais atual e dinâmica de pagamento. Tanto que, em 1958, quando foi lançado o American Express, o cartão de crédito já era aceito em milhões de estabelecimentos mundo afora. Hoje, é o meio de pagamento mais utilizado em todo o mundo.

E o Bitcoin?

Como sabemos, o Bitcoin também enfrentou muitas polêmicas e dúvidas desde o seu surgimento. Foi alvo de ataques, esteve no centro de diversas fake news e hoje – muito provavelmente graças a sua rápida valorização como ativo financeiro ou reserva de valor – começa a navegar por águas um pouco mais tranquilas.

Se formos comparar os dois períodos históricos, fica fácil compreender que o processo de adesão ao Bitcoin como meio de pagamento, tem muitas similaridades com a do cartão de crédito, porém sua aceitação tem sido mais rápida. E, só não tem sido ainda mais eficiente porque taxas e velocidade de transação ainda encarecem e desestimulam o uso da tecnologia.

A esperança é que as inovações recentes e futuras implementadas na rede, com o uso da Lightning Network resolvam parte desses problemas e tornem essa modalidade de pagamento mais atrativa e viável aos consumidores e lojistas mundo afora. O fato é que, quando o assunto é meio de pagamento, quanto mais simples e barato, melhor aceito ele será.

Se o Bitcoin irá se tornar um dia o meio de pagamento mais utilizado do planeta, assim como aconteceu com o cartão de crédito, é difícil dizer. Ainda há muitas variáveis que podem incidir nessa previsão. O que se percebe, porém, é que novos meios de pagamento têm sido aceitos com muito menos resistência nos dias atuais do que o cartão de crédito foi no século passado. E, por conta de sua tecnologia e segurança, o Bitcoin tem predicados de sobra para assumir esse posto.