Como se determina o valor do bitcoin?

Como se determina o valor do bitcoin?

10-07-2019
Adriano Gomes

A volatilidade vista nas últimas semanas acende novamente a discussão sobre o quê ou quem interfere na cotação da moda virtual

Os recentes movimentos de subida e descida no preço do bitcoin têm feito muita gente se perguntar: o que influencia o valor da criptomoeda? Por que e como varia? Aliás, como explicar que após um consistente período de alta a moeda tenha desvalorizado 3 mil reais em apenas 24 horas?

Na verdade, a dúvida latente é apenas a ponta do iceberg de uma questão bem mais profunda: o que determina o preço do bitcoin?

Por via de regra, e para a compreensão inicial, é importante que se entenda que o preço é determinado, majoritariamente, por uma das mais simples e conhecidas leis da Economia: quanto menor a oferta de um produto e maior a procura (demanda) pelo mesmo, maior será seu preço. Ou – em um movimento reverso – quanto maior a oferta de um produto e menor sua procura, menor será o seu preço.

Vamos ilustrar um pouco esse cenário. Digamos que há muita gente interessada em comprar bitcoin – como estranhamente acontece nos períodos de tendência de alta. Sabemos que há uma quantidade limitada da criptomoeda no mercado, sendo que menos de 18 milhões delas já foram mineradas e estão em circulação.

Com mais gente querendo comprar um produto com disponibilidade limitada, a demanda aumenta e, consequentemente, o seu preço. Basicamente, é esta a situação que explica os movimentos de alta da moeda nas últimas semanas.
Em relação à queda acentuada, a de 20%, ocorrida entre os dias 26 e 27 de junho (semana passada), um outro fator influenciador do preço entrou em ação: as notícias.

Sim, ao contrário do que muitos especialistas do mercado ainda defendem ou acreditam, não se pode mais para ignorar o impacto que as notícias relacionadas ao mercado causam na flutuação do preço da criptomoeda. Nesse caso específico, o maior fator de influência foi a falha e a suspensão das atividades na plataforma da Coinbase (exchange americana).

Já no dia 28 de junho, o preço voltou a subir, e valorizou 14% em apenas 24 horas. A alta foi entendida como um ajuste – um repique – em relação ao movimento de queda registrado nos dias anteriores. Vale lembrar que uma das características financeiras intrínsecas ao bitcoin é a sua volatilidade. Os movimentos de alta ou baixa ocorrem mais intensamente, e de forma mais rápida do que costuma acontecer no mercado de ações, por exemplo.

Para refletir

Toda essa flutuação, os movimentos constantes de valorização ou mesmo de queda, são seguidos de períodos de recuperação lenta na maioria dos casos. Isso apenas atesta a saúde, e explica a longevidade de uma cripto que já foi chamada de bolha e que hoje é a nona moeda mais negociada em todo mundo, à frente de moedas oficiais como o Rublo (Rússia), o Real (Brasil) e centenas de outras que circulam em todo o planeta.

O preço do bitcoin deve continuar flutuando nos próximos dias… E nas próximas semanas. E, também nos próximos meses e anos. Afinal, trata-se de um mercado de risco, onde os preços oscilam constantemente, e é graças a essa variação que os investidores conseguem obter lucros e dividendos.

Mesmo com o valor da criptomoeda se comportando como um carrinho de montanha russa nas últimas semanas, não podemos perder de vista a percepção de todo o período. Só em 2019 o bitcoin já valorizou mais de 200%. Quantos outros ativos existentes no mercado ofereceram essa mesma possibilidade de aumento de capital em tão pouco tempo?